segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

Casinha de Bonecas

Quer exemplo maior da rapidez da vida
Do que uma casinha de bonecas no quintal?
E o que havia ali?
Ontem, um ontem bem próximo,
Havia ali um ruído quase insuportável
Vozes demasiadamente aceleradas
Vem aqui, sai dali, que linda sua boneca!
Quadrinhos na parede, bolinhos de areia
Fogãozinho mesinha cadeirinha
Tudo no diminutivo
Este diminutivo mais bonito da vida
Este diminutivo de encher os olhos.
E de repente o que resta?
A casinha fica no quintal,
Lembrança querida, um pouco triste.
Toda lembrança tem um quê de tristeza.
Ah, o tempo não pára nunca, não volta
Ficam as casinhas de boneca apodrecendo no tempo
Coisas que as meninas que brincaram nem conseguem lembrar
Lembra quem viu, quem visitou a menina em seu pequeno lar.
O tempo passa feito flecha embebida em licor e dor
E neste carrocel estamos quietos
Um pouco humanos, um pouco tristes,
De repente instantaneamente alegres.
A vida é esta coisa linda e filosófica
Vários mundos num só mundo, que é este, talvez único,
Tão mágico quanto o mundo que existe e que passa
Numa casinha de bonecas.

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