domingo, 2 de março de 2014

Saudosa choupana cosmopolita

Cães, córregos, pessoas:
ah, já sinto saudades
da vista da janela da cozinha

Os cães, principalmente os cães
filhotes felizes brincando com o vento no varal
saltos, festa nos lençóis heroicamente derrubados

Tão cedo, barulho da enxada
um ou outro capim catado no terreno
toda paz, todo silêncio
toda bucólica lembrança que me traz
roupa estendida no varal de corda
vassoura de varrer quintal
pessegueiros, laranjeiras, bananeiras

Mas os cães, esses especialmente,
esses que vimos crescer
esses que ouvimos ladrar em matilha, desesperadamente,
cessando quaquer ruído à primeira palavra da dona,
do alto da janela:
- Já deu? Vamos parar?!

Essa gente que vive a vida, 
limpa, simples, desprovida de toda essa ansiedade
que anda a passos lentos pelo pátio no fim da tarde
um tempero para colher, um graveto para juntar

Ah, já sinto saudades da vista da janela.
Já sinto saudades de me encontrar na vista da janela,
de querer estar lá, tão perto, ali ao lado,
tão longe, em algum lugar do passado,
onde a vida existia, simples assim.





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